Quando eu era adolescente estava andando em uma famosa loja de departamentos e fui abordada por um segurança que me acusou de ter colocado algo na minha mochila de escola. Eu disse que não tinha feito aquilo, mas ele me fez abrir a mochila do meio da loja, tirar tudo e me humilhou na frente dos clientes que me olhavam com um olhar de julgamento, afinal, só é parado quem deve, não é mesmo?Mas eu não devia nada. Não peguei nada naquela loja ou em local algum. Quando os clientes viram que não deu em nada sairam de perto até meio tristes por não verem o sangue da "pivete", termo "carinhoso" utilizado a todo momento pelo segurança.
Era outro tempo, nada de câmeras para conferir, nada dessa história de processar. Isso tem uns 14 anos. Minha mãe foi reclamar com o gerente, mas não deu nada.
No livro “Minha mãe me ensinou a sonhar” a história é completa e os leitores sabem o trauma que isso causou. Toda vez que entro em uma loja de departamentos tenho a impressão de que alguém está me vigiando. Mantenho todos os objetos o mais visíveis possível para que não desconfiem de mim.
Então, ontem, em uma grande loja, me dei conta do que estava fazendo. Lembrei do post sobre a faxina e decidi: este sentimento vai para o lixo, hoje! Não sou mais aquela menina ingênua, sei me defender, os tempos mudaram. Se alguém me parar só abro a bolsa na polícia. Sou uma adulta e não mais aquela menina indefesa.
Mas eis a surpresa, ao sair desta loja e entrar em outra, o que fiz? Andei com as mãos bem soltas como faço desde o ocorrido, há tantos anos. Alguns passos e me repreendi: “este sentimento vai embora! Eu não preciso mais dele para me defender!”
E aqui estou eu, em plena segunda orgulhosa de mim por ter percebido que este sentimento não é mais necessário no meu guarda-roupa interno. Mas sei também que livrar-se de antigos hábitos não é como dar uma blusa. Toma tempo e exige esforço. Mas estou disposta. Porque só assim consigo responder a pergunta: O que joguei fora na minha faxina?













