quarta-feira, 23 de março de 2011

Onde está a coragem de dar asas ao seu Cisne Negro?

Segundo uma amiga, o filme “Cisne Negro” não é um filme “agradável” de assistir. No filme, uma jovem consegue o papel que tanto queria no balé, mas precisa desafiar o que sempre a guiou:

- Ser boa;
- Ser perfeita;

Mas, ao ganhar o papel, ela se vê diante de um desafio imposto pelo diretor: achar seu lado mau. Ela tem uma técnica perfeita, mas não brilha. Menos perfeição, mais vida. 

Porém, ela só sabe ser a “boa” que sua mãe e a sociedade aceitam, o que lhe confere muita técnica, mas um brilho opaco.

E, assim, nós mulheres vivemos. Enquanto buscamos ser “boas” em tudo, vamos perdendo o nosso brilho de ser o que somos de verdade.

No filme, o brilho vem de uma bailarina de hábitos duvidosos para a profissão e técnicas nem tão perfeitas.

Quando adolescente, eu era um cisne branco. A correta para tudo e, por vezes, me vi sendo usada sem ter retorno algum. Eu não brilhava. E, durante a faculdade também não foi muito diferente. Só depois de me jogar no interâmbio é que deixei meu cisne negro aflorar e me tornei muito mais feliz.

Pai e mãe guiam a criança, mas o adulto é você quem direciona. Senão, se torna mais um, numa multidão cada dia mais igual. Em pânico, gastando cada centavo em ter, porque não tem coragem de ser. Sendo nas redes sociais o que não tem coragem de ser na vida real.

Liberar seu cisne negro não é sair transando com mulher, usando droga, ficando bêbada, como acontece no filme, mas sim, mudar pequenas atitudes. O marido não quer, mas você quer. E ai? Sua mãe acha que você deve criar seu filho assim, mas você não. Seu pai espera isso de você, mas você quer diferente! Você nunca deixará de ser amada, será admirada.

Não admiramos o igual, mas o corajoso, o ousado. Tem seu preço, mas o que nessa vida não tem um preço? 

Ter aquele poder no olhar que faz o outro te admirar. Não ser a sombra do que querem que você seja, mas o que você, humildemente, se sente capaz e no direito de ser. Não é subverter a ordem, passar por cima do outro, mas passar por cima dessa “pessoa bozinha” que a sociedade, que nem rosto tem, quer que você seja.

Tenho uma amiga que viu o cisne negro da irmã e continua montada em seu cisne branco, esperando ganhar flores por isso. Resultado: a irmã saiu ganhando. A irmã não foi má para a família, só foi boa para ela mesma.

No filme a mãe diz: "cadê a minha boa menina..." Fugiu! Pirou! Foi ser ela mesma! Quando ela voltar mando ela enviar um cartão! 

A sociedade tenta podar ao máximo, mas bate palmas de joelhos para quem a desafia e faz diferente.

Por isso... Talvez, o Cisne Negro não seja mesmo um filme agradável de ser visto como disse minha amiga, mas deixa o desafio: Onde está a coragem para dar asas ao seu Cisne Negro?

14 comentários:

Claudia Magnólia disse...

Taí, Flávia. Eu senti exatamente isso quando assisti Cisne Negro. Todos temos os dois cisnes dentro de nós, a perfeição limita e cansa, assumir a imperfeição e seguir os comandos do nosso coração demanda coragem e desprendimento. Não é fácil. Todavia, só quem ousa arriscar-se nesse caminho sente na boca, no corpo e no íntimo a delícia de ser aquilo que se deseja ser...e a pessoa se sente assim mesmo, com asas, liberta...e feliz.

Excelente texto.

Beijão

Única e Exclusiva disse...

Infelizmente, ainda não vi, o único cinema da cidade está em reforma. Mas, pelo contexto do post, posso te responder o seguinte: Oq me falta é inciativa de correr atrás do que eu quero ser, todos meus amigos virtuais ou não, sabem como eu sou, menos a minha família, prq vivo na sombra do meu próprio cisne branco, tentar ser a filhinha boazinha, a irmã caridosa e por dentro meu cisne negro logo para voar.

bjs meus, t-adoro!

Luciana disse...

Eu ainda näo vi o filme, vou ver consigo ver este final de semana, gosto bastante de ler sobre filmes antes de ver.
Eu acho que sempre tive meu lado cisne negro mais em evidência e sempre tentaram me direcionar a encontrar meu cisne branco, procurei e nunca achei, ou achei mas não desenvolvi, e isso me irritava, porque eu queria ser pelo menos por tentativa, uma menininha cisne branco.
Depois de adulta vi que tinha mais era que escurecer mais e mais meu cisne negro, porque assim a gente leva a vida melhor, mas não sei se dizendo ou mostrando este meu desejo os que me rodeiam iam achar interessante.
Mas continuo exercitando meu egoísmo, esta parte ainda não é totalmente desenvolvida.

Beijo

Sonica disse...

Um dos melhores filmes que já vi!
"Sonhar, mais um sonho impossível...", coloquei esse vídeo no meu blog, e tem td a ver com o Cisne Negro! Apareça!
Bjs

Juliana Dias disse...

A sociedade é tão hipócrita. Sempre as sonsas se dão bem, são as bonitinhas e educadinhas. Não sei se já liberei o meu Cisne Negro... Mas confesso que deixei de querer ser o que os outros me impõe... Cansei sabe? Um dia cansa...

Bela reflexão!

bjs

Lis Alves disse...

Pode ser cinza? rsrsrs
Eu sempre pensei em mim primeiro,isso até ser filhos claro,por isso sou o cisne cinza da minha familia...
Nunca dei muita importancia a opinião alheia,os conselhos sim,palpites nunca.
Beijos.

LICIA TATIANE disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Elaine Canha disse...

Oi Flávia

Estou vivendo uma experiência que está fazendo com que eu deixe meu cisne negro aflorar. Tenho medo que no meu caso específico eu esteja errada no fim das contas, mas não vou ser nunca mais totalmente o cisne branco.

bjs

LICIA TATIANE disse...

Eu por natureza sou uma pessoa politicamente correta,responsável e disciplinada(desde criança),eu gosto de ser assim.Não sou uma chata nao,viu!Porque eu exigo isso de mim e não dos outros.Mesmo assim, familia,depois marido,queriam me moldar e fui deixando,deixando...porque eu queria agradar minha familia,porque eu não sei dizer não,porque eu não gosto de entrar em conflito com ninguém e isso acaba nos anulando.Continuo sendo o que sempre fui,mas agora não me anulo mais,só faço o que me agrada e quando eu quero,claro,sem deixar de ser responsável.Beijos.

Ellen Daiane disse...

Olá, assisti o filme semana passada, e realmente não é agradavel, adorei o filme, mas achei que ele choca um pouco, e fiquei uns dias tentando entender o ser humano....é complicado demais...a pressão que ela sente no filme me deixou chocada!!

Albuq disse...

Ainda não vi o filme, mas, todo mundo que viu disse que é fantástico. Se nos provoca a descobrir quem somos e o que queremos ser sem agradar os outros, então está perfeito.

Depois dos 25, mas antes do 40! disse...

Não sou uma rata de televisão. Mas quando passava "O Aprendiz" na Record com o Roberto Justus, eu resolvi acompanhar uma temporada.

Acabei vendo apenas um dia aqui outro ali, mas na final, fiquei chocada ao ver que ele escolheu logo uma menina que parecia mais petulante, egoísta, atirada.

A outra era mais velha, trabalhava melhor em equipe e tinha uma cara de boazinha e disciplinada.

Quando vi "Cisne Negro" lembrei logo desse episódio e passei a entender a sua escolha. A menina tinha sim o tanto de petulância além do necessário, mas ela estava ali para ser o que ela queria ser. Não estava agredindo ninguém, apenas expondo e lutando por algo que queria muito. Que, realmente, tinha valor para ela e não para os que estavam ao redor se enquadrando à sociedade.

Se perdesse, continuaria sendo daquela maneira "ela mesma."

Por isso, acho tão importante que cada um ache mesmo o seu cisne negro, se ele for o egoísmo, que seja, mas é aquela parte ruim que é boa.

Com humildade de dizer: apenas estou tentando ser eu e usar a vida em meu benefício. Nem má, nem boa, mas eu.

Adorei os depoimentos. E mais uma vez peço: Se tiverem Twitter, por favor, deixem ao fim do comentário!

Beijos

Nana disse...

Oi, td b? Encontrei seu blog navegando na web e gostei muito daki. Espero sua visita no meu cantinho tb. Bjs e fik c Deus.

Juliana disse...

Olá, Flávia. Eu fui sempre o Cisne Branco e minha irmã o Negro. Mas na verdade, ninguém saiu ganhando com isso...minha irmã muito revoltada e eu muito santa. Até que me vi com meus 25 e ainda um ser incompleto, não desenvolvido. Não tive adolescência, as transgressões para ser eu mesma eram sempre muito podadas, não só pelos meus pais, mas pela família inteira. Agora estou fazendo um intercâmbio e quero ver o que acontece. Acho que como Lis Alves disse, o cinza está na medida!

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